sábado, 28 de novembro de 2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

domingo, 22 de novembro de 2009

Do vento

Alimenta o fogo
atormenta o mar
arrepia o corpo
joga o ar no ar

leva o barco a vela
levanta os lençóis
entra na janela
leva a minha voz

nuvens de areia
folhas no quintal
canto de sereia
roupas no varal
tudo vem do ven-tudo vem
do vento vem tu-do vento vem
do vento vem tudo
tudo bem

sacode a cortina
alça os urubus
sai pela narina
canta nos bambus

cabelo embaraça
bate no portão
espalha a fumaça
varre a plantação

lava o pensamento
deixa o som chegar
leva esse momento
traz outro lugar

tudo vem do ven-tudo vem
do ven-tudo vem
do vento vem tu-do vento
vem tu-do vento vem
do vento vem tudo
tudo bem

Arnaldo Antunes

domingo, 25 de outubro de 2009

'você ainda pode sonhar'

Londres é definitivamente cinza! Do jeitinho que eu imaginava. É grandiosa! E não tenho vergonha nenhuma em dizer que em vários momentos eu tive vontade de chorar, e em alguns deles uma lágrima tímida correu meu rosto. Lembro cada detalhe e guardo cada lembraça para a eternidade.
Lembro quando cheguei e tentei me acalmar, falando sozinha para mim mesma que tudo ia dar certo, eu ia passar pela imigração, responder as perguntas como quem responde um questionário de revista feminina. E foi assim mesmo que aconteceu. Estava calma, porém suava um pouco, respondi tudo com um sorriso simpático só pra disfarçar meu nervosismo. Lembro quando vi Camila sentada na frente do Burger King e naquele momento eu me senti tão aliviada e não dei um abraço forte porque ainda estava sob o efeito da euforia de passar pela imigração ilesa. Mas eu me senti tão bem, tão em casa. Depois de dois meses finalmente eu encontrei alguém conhecido, alguém com quem eu poderia contar pra qualquer coisa. Marília também me deu um abraço e eu me senti mais confortada. Queria ficar sozinha, só para sentir a sensação de estar aonde eu nunca imaginei. Foi aí que me sentei no ônibus que leva para a Estação Victoria, centro de Londres. A primeira música que escutei foi Iris de Go go dolls e eu prendi o primeiro choro. Primeiro veio a incapacidade de acreditar naquilo tudo que estava acontecendo, estar num lugar que eu nunca imaginaria estar, onde eu só acreditava estar nos meus sonhos e de fato estar ali. Passar de fotos, de mapas, de livros para o real é uma coisa muito louca, indescritível! Eu estava mais uma vez sozinha sentada no ônibus e aquele trecho gritava em meus ouvidos "when everything feels like the movies, you bleed just to know you're alive" meu choro traduz como sangue, pois por dentro eu senti o sangue transcorrer minhas veias, meu coração e eu me senti uma pessoa melhor, mais viva.
Eu sempre brinquei ao falar que ia chorar quando finalmente visse o Big Ben. Eu não chorei, mas prendi com força minhas lágrimas. Foram minutos de imensa felicidade, emoção. Se esses momentos não fossem registrados por fotos eu jamais acreditaria que aquilo de fato aconteceu comigo. Eu me senti tão imponente, é impossível eu expressar o que senti em palavras, mas foi tão bom, queria sempre estar de bem com a vida daquela forma. Foi transcedental! Me senti flutuar. Dividir esses momentos com amigas verdadeiras não tem preço, não tem.

Londres também é arte, principalmente é arte. Ver de perto artistas que eu só via em livros foi sensacional e mais uma vez eu me emocionei muito. Depois de ver Klimt, Picasso, Van Gogh, Matisse, Picarro chorei quando vi The Umbrella de Renoir. Queria aquele sentimento para toda a vida. O silência da National Gallery também era o meu silêncio dentro de mim e eu novamente me senti uma pessoa melhor, mais viva!
Londres é tudo o que eu imaginei e muito mais, principalmente porque eu consegui sentir a cidade, consegui tocá-la com os dedo e com o coração. E que para sempre ela permaneça em mim.

sábado, 24 de outubro de 2009

when everything feels like the movies

Yeah you bleed just to know you're alive

terça-feira, 13 de outubro de 2009

sábado, 10 de outubro de 2009

solitatis

Eu sinto saudade de sempre ter alguém pra me acordar. Mesmo que não seja uma hora boa, mas dá a sensação que alguém se importa com você a ponto de não deixar você perder a hora. Sinto saudade de acordar e a primeira coisa que tenho pra olhar é o papel de parede florido no teto do meu quarto. Sinto saudade de sair molhada de toalha do banheiro pro quarto e só ali me arrumar com a maior tranquilidade. Sinto saudade de cruzar a ponte da Capunga todos os dias. Sinto saudade do brega alto na comunidade vizinha. Como sinto saudade da paisagem nada favorável da minha janela. (Desejaria que o sistema do brasileiro fosse um pouco parecido com o daqui e no lugar dos barrocos eu visse casas bonitas e bem estruturadas) Sinto saudade de comprar doritos ou cheettos no posto ao lado da minha casa e cumprimentar Sr. Nilo que sempre foi muito simpático. Sinto saudade do abraço que nao dei em Sr. Joaquim que me viu nascer e também da foto que não tirei com Sr. Aloísio. Sinto saudade de dirigir o meu Renault cinza até ficar com a batata doendo de tão alta que é a embreagem. Sinto saudade de receber uma ligação de Bruna, como também sinto saudade de retornar as ligações quando eu bem quiser. Sinto saudade de assistir na televisão um programa que realmente goste. E também de assistir ao jornal com noticías que me interessam. De ler o caderno C do JC na poltrona marrom da sala. De ver as besteiras de Marcelo Adnet e os irreverentes do CQC. Sinto saudade de andar pela casa descalço e do meu short azul escuro. Do biscoito treloso e do sorvete da minha mãe. Sinto saudade de passar o final de semana com Cleonardo e esquecer o resto do mundo. Sinto saudade de ser acordada por Ciro quase todos os dias cedo da manhã. Sinto saudade de deitar entre as camas do meu avô e da minha vó e lá assistir um pedaço da novela. Sinto saudade de fazer questão de assistir Caminho das Índias com minha mãe. Sinto saudade dos mimos. Sinto saudade do abraço apertado, onde eu encaixo perfeitamente. Sinto saudade de comer na mcdonza, do macunaíma e do pin up. De ser a alegria da casa. De aperrear minha mãe. De brincar com minha vó e ter ciúme de meu blindo. De fazer planos com minha tia e de dividir os chocolates com meu primo. De receber uma reclamação ou um conselho sincero de alguém que se importa. De confabular manhãs inteiras com Taiana. De chegar na casa de Bianca e ouvir Pene gritar. E de Lígia. Sinto saudade de ir ao mercado da Boa Vista num sábado de sol com as minhas amigas jornalistas. E de 'passar frio' no Recife Antigo à noite. Sinto saudade de não saber o que é sentir frio. E sinto saudade de gargalhar alto e com vontade. Sinto saudade da minha rotina e dos meus queridos. Sinto saudade de cada pedacinho que deixei. Sinto saudade de vasculhar as fotos antigas da família quando bate a saudade do tempo que passou. Da Boa Vista da minha cidade, separada e com trânsito. Do capibaribe que cheira mal. Desejo do fundo do meu coração que um dia o cenário mude, mesmo que eu não esteja viva pra conferir as melhorias, mas que mude.
Tá bom, isso aqui já tá tomando outro rumo...
Em momentos como este desejo voltar para o meu lugar.

sábado, 12 de setembro de 2009

O beijo


Eu encontrei o amor da minha vida e estou morrendo de saudade dos seus braços.

Início da vida lusitana

Para satisfazer a vontade de muitos, inclusive a minha própria, vou transformar este blog em um diário virtual, para contar minhas aventuras deste lado do oceano. Lógico que essa vontade era antiga, só não tinha se realizado por falta de tempo.

Vou logo avisando que esse primeiro texto foi retirado de um primeiro email que enviei a minhas queridas amigas, que fazem uma falta de cortar o coração. Sem mais rodeios, vou adaptar o texto, óbvio. E colocar algumas fotos para ilustrar os comentários.

Quando cheguei, na segunda 31/08, estava extremamente cansada, mas o pior não foi isso. Uma de minhas malas foi extraviada. Eu fiquei completamente desesperada, porque aqui está chegando o inverno e essa mala é justamente onde está minha roupa de frio, sem contar que eu quero gastar o mínimo possível com essas roupas de frio, já que em Recife não terá utilidade nenhuma. Enfim, no dia seguinte a minha chegada fui ao aeroporto procurar a bendita e ela estava lá. Foi um alívio imenso, felicidade mor. Ter minha mala comigo novamente me fez renascer em território português!

Esses primeiros momentos foram insuportáveis. Me senti sozinha e queria voltar pra minha casa, pra minha família. E olhe que eu fui muito bem recebida pelo pessoa, aqui não tem o problema do idioma, apesar que o português que esse povo fala é muito confuso. Mas aqui parece ter mais brasileiros que tudo, enfim... O embrulho na barriga, a pressão baixa e o sentimento de solidão foram embora apenas com o passar dos dias. Questão de paciência e adaptação.

Quero começar falando do pessoal que mora comigo no apartamento. Moro com emmanulle, ela é de Recife e estuda Ciências Sociais comigo e também moro com três cariocas. Eles são muito simpáticos e solicitos em tudo.


Pessoal do apartamento: Emmanuelle ao meu lado, Ivan, na minha frente e Leandro ao lado de Ivan.
A casa! Gente, a casa é uma gracinha. O ambiente é totalmente familiar e tem tudo, de televisão com antena sei lá das quantas que pega uns 100 canais a microondas! Sem contar que o pessoal é muito organizado. Tem tabela de colocar lixo da casa no lixo da rua e detalhe, aqui todos fazem coleta seletiva. Muito bom! tabela de faxina e tabela estabelecendo a ordem pra comprar o que falta. A gente divide algumas coisas em comum, de alimento a produtos de limpeza. A coisa é organizada. E eu tou gostando muito disso. Eu sou doente por organização, pareço com a Mônica de Friends. Eu cozinho o razoável, não sei fazer tanta coisa, mas sei me virar e por enquanto está dando pra se virar sim.
A cidade: Porto é relativamente pequena, se compararmos a Recife que relativamente grande. É muito lindinha, bem cidade típica portuguesa, com aqueles casarões no centro da cidade, as ruas de "tijolos" e nunca retas, como são os quarteiroes de Recife, etc. são como o recife antigo, aquelas ruas se encontram no ponto único e central. Logicamente aqui não há ponto único e central, mas a estrutura é bastante semelhante. Enfim. GENTE, aqui usamos o autocarro, que é o nosso conhecido ônibus e o metro que se diz MÉTRO, e são extremamente pontuais. Quando eu voltar vou reclamar tanto do sistema de transporte brasileiro. GENTE, nas paragens tem o mapa da cidade com uma tebela de horários, todos os horários que o autocarro vai passar e eles não atrasam. E são horários bem loucos, do tipo: 15:48, e o danado tá lá às 15:48 EM PONTO. Mais incrível que isso é o metro. Na estação, a mulher no microfone diz quantos minutos faltam para o próximo metro chegar, e nunca demora mais de 5 minutos. Existe uma placa eletrônica que anuncia "senhor do matosinho - 3 minutos" QUANDO DÁ UM MINUTO A GENTE JÁ ESCUTA O BARULHO DO DANADO E LÁ NO HORIZONTE ELE APARECE. Eu estou impressionada! Outra coisa é que aqui as pessoas cumprem "as regras". Pedestre anda APENAS na calçada e na faixa os carros SEMPRE param. A gente não precisa fazer sinal NÃO, e eles podem está vindo a 80km/h, eles PARAM. Meu Deus. Eu solto uma gargalhada na rua quando isso acontece, sempre, no caso. Deixa eu ver mais. A cidade é geladinha, no início eu morria de frio na rua, sempre VENTA MUITO E FORTE, parece um ar condicionado geral. Muito engraçado, à noite chega a fazer 15 graus agora em setembro, mas pra minha surpresa eu me adaptei muito bem ao clima, não ando mais de casaco e a noiote também não preciso, mas sempre levo comigo, nunca se sabe...as folhas das arvores já estão caindo e o outono tá chegando. Eu tou com medo do frio que vou sentir no inverno. HIHIHIHI

Vista da janela da sala, quando o tempo fecha: nevoeiro.
A faculdade ainda não começou, só semana que vem, mas já me falaram que não tem aula na primeira semana de aula. =D E aqui a vida é muito mansa. Eu geralmente acordo ao meio dia, como e saio. O mais engraçado é que o sol se põe às 21 horas e eu tava muito curiosa pra viver isso, gente, é muito engraçado. Eu estou maravilhada com as coisas desse mundo, sério mesmo. Questão de perigo, aqui "não há perigo" em sair na rua com celular, câmera ou computador, seja qual for a hora. Mendigos aqui não tem, mas existem umas pessoas que pedem ajuda e pedem com tanta educação que dá vontade de ajudar. Isso é o que fala o pessoal que está comigo, eu ainda tenho medo dessas pessoas que abordam com educação, sempre penso que existe um cúmplice atrás armado. Mas que nada...

Quando recebi o quit da Universidade do Porto, minha escola nos próximos meses.

Bom, por enquanto é isso. Semana que vem espero chegar com mais novidades.